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Fratura de punho

Nosso punho é formado por oito ossos pequenos e dois ossos do antebraço. Os ossos do antebraço são chamados de rádio e ulna (Figura 1). Eles permitem o deslocamento do punho, movimentado a palma da mão para cima ou para baixo, para os lados ou girando a mão de forma circular.  Fraturas podem acontecer em qualquer um dos ossos do punho quando é aplicada uma força maior do que ele pode suportar. É comum no caso de pessoas que caem sobre a mão estendida, acidentes de trânsito, atividades esportivas, queda de alturas, quedas de bicicletas e quedas de diversos aparelhos esportivos, como, por exemplo, skate e hoverboard.

A fratura de punho mais comum é a fratura do rádio (Figura 1). Quando algum osso do punho é quebrado, o paciente sente dor, inchaço e limitação no arco de movimento do punho. Há fraturas que são visíveis e outras que não são visíveis. As fraturas de pequenos ossos – como o escafoide – raramente são aparentes (Figura 1B). 

Uma fratura pode ser simples quando os ossos estão mais alinhados e estáveis, enquanto outras podem ser instáveis, há fragmentos ósseos deslocados, desalinhados ou o osso está quebrado em vários pedaços, de modo que poderá ser visível, dito de outro modo, o punho estará torto.

Outro ponto importante a ser destacado na fratura de punho é que algumas ocorrem na superfície da junta, outros quebram perto da articulação, mas deixarão a superfície articular intacta. Uma fratura aberta (exposta) ocorre quando um fragmento ósseo rompe a pele, nestas fraturas, há o risco de infecção, justamente, por serem expostas.

Ainda outra condição comum é a osteoporose, na qual o osso torna-se mais frágil, pode tornar a pessoa mais suscetível a sofrer uma fratura de punho.

Fig. 1 A) Fratura do radio com lesão do ligamento entre os ossos do punho, escafoide e semilunar. B) Fratura do radio, associada à fratura do escafoide. Fonte: Fraturas del extremo distal del radio de Diego L. Fernandez e Scott W. Wolfe.
Fonte: Mar Garcia Elias e William P Cooney, Axial Dsilocations and fracture dislocations.
Pós operatório de fratura do rádio distal

COMO REALIZAMOS O DIAGNÓSTICO?

Conversar com o paciente e entender como aconteceu o acidente é fundamental para um bom diagnóstico, radiografias também são necessárias, de tal forma que, com estas duas informações, é possível determinar que tipo de fratura ocorreu no punho do paciente e, assim. podermos determinar um tratamento. A tomografia computadorizada ou a ressonância magnética podem ser necessárias em alguns casos, elas ajudam a obter uma imagem mais ampliada e com maior qualidade dos fragmentos ósseos e da superfície óssea. Além do osso, os ligamentos (estruturas que mantêm os ossos unidos), tendões, músculos e nervos também podem ser lesados quando o punho está quebrado. Essas lesões podem precisar ser tratadas além da fratura (Figura 1A).

TRATAMENTO

O padrão da fratura, com ou sem deslocamento, estável ou instável, idade do paciente, saúde geral, domínio das mãos, atividades de trabalho e lazer, presença de qualquer lesão ou artrite prévia e lesões associadas (tendões, nervos e vasos) são fatores que determinam o tratamento.

Uma tala gessada ou órtese de punho pode ser usada para tratar uma fratura que não está deslocada ou para proteger uma fratura que foi ajustada (alinhada). Outras fraturas podem precisar de cirurgia para ajustar adequadamente o osso e ou para estabilizá-lo. As fraturas podem ser estabilizadas com pinos, parafusos, placas, hastes ou com fixação externa (Figura 2). A fixação externa é um método no qual uma estrutura externa do corpo é presa a pinos que foram colocados no osso acima e abaixo do local da fratura, mantendo-a em tração até a cicatrização do osso. Às vezes, a artroscopia é usada na avaliação e tratamento de fraturas de punho. O cirurgião de mão determinará qual tratamento é o mais apropriado para o seu caso individual.

Ocasionalmente, o osso pode estar faltando ou ser tão gravemente fraturado, que existe uma lacuna no osso depois que ele é realinhado. Nesses casos, um enxerto ósseo pode ser necessário. Neste procedimento, o osso é retirado de outra parte do corpo para ajudar a preencher o defeito. Ossos de um banco de ossos ou substitutos de enxertos ósseos sintéticos também podem ser úteis.

Enquanto a fratura do punho está cicatrizando, é muito importante manter os dedos flexíveis, desde que não haja outras lesões que exijam a imobilização dos dedos. Caso contrário, os dedos ficarão rígidos, dificultando a recuperação da função da mão. Uma vez que o punho tenha estabilidade suficiente, exercícios de movimento podem ser iniciados para uma rápida recuperação. Seu cirurgião de mão determinará o momento apropriado para iniciar esses exercícios. A fisioterapia, frequentemente, é usada para ajudar a recuperar a flexibilidade, força e função do punho, mão e dedos.

OS RESULTADOS

Fraturas de punho são fraturas delicadas e graves. Os resultados dependem de um conjunto de informações sobre cada paciente. O tempo de recuperação dos pacientes varia, consideravelmente, pois são inúmeros fatores que devem ser considerados: gravidade da lesão, se a superfície articular foi ou não lesada, se há lesões associadas (tendões, nervos e vasos) e se há outras comorbidades associadas (doenças).  Na maioria dos casos, uma fratura de punho leva vários meses para ser considerada consolidada. Alguns pacientes podem apresentar rigidez ou dor residual. Em alguns casos mais graves, é necessário tratamento adicional ou cirurgia reconstrutiva.

Como citar este material:

SEVERO, Antônio Loureço. Fraturas do Punho. Disponível em: www.antoniosevero.com.br, acesso em: dia/mês/ano