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Dedo em gatilho

A tenossinovite estenosante, que acomete o dedo da mão, comumente conhecida como “dedo no gatilho” ou “polegar no gatilho”, é uma condição caracterizada por dor no trajeto dos tendões flexores associada à dificuldade de flexão ou travamento do movimento dos dedos, que podem permanecer em posição de flexão.  O paciente, ao realizar a flexão do dedo ou polegar, apresenta uma posição semelhante ao do disparo de um gatilho, daí a origem do nome curioso.

Nas tenosinovites estenosantes graves, o dedo pode permanecer travado em posição de flexão. O problema envolve as polias e os tendões da mão que dobram os dedos. Os tendões funcionam como longas cordas conectando os músculos do antebraço com os ossos dos dedos e do polegar. No dedo, as polias são uma série de anéis que formam um túnel através do qual os tendões devem deslizar, como as guias de uma vara de pescar, pelas quais a linha (ou tendão) deve passar. Essas polias mantêm os tendões próximos ao osso. Os tendões e o túnel têm um revestimento liso que permite deslizar facilmente do tendão pelas polias.

Figura 1, fonte: Tenosinovitis, Scott W. Wolfe

Figura 2, fonte: Mayo Foundation for medical education and research.

O que causa o dedo em gatilho?

As causas nem sempre são claras, alguns dedos em gatilho estão associados a condições médicas, como artrite reumatoide, gota, diabetes, hipotireoidismo, amiloidose e algumas infecções (tuberculose, esporotricose, infecções fúngicas, etc.). O trauma local na palma, base do dedo, pode ser um fator ocasional, mas, na maioria dos casos, não há uma causa clara. Também atividades manuais, profissionais, esportivas, entre outras, que exigem preensão forçada, movimentos repetitivos ou que submeta a mão à vibração intensa ou ao impacto podem aumentar o risco do desenvolvimento de tenosinovite estenosante dos flexores. Mas um fato é curioso, o dedo em gatilho ocorre frequente mais nas mulheres do que nos homens e, particularmente, na gravidez, puerpério e menopausa.

Então, fique atento aos sinais e sintomas!

Você perceberá um desconforto na base do dedo onde eles juntam-se à palma da mão, que é uma área muito sensível à pressão e, não raras vezes, surge um nódulo nessa região.  Você também perceberá que o dedo começa a travar ou disparar, a impressão que o paciente sente é que o problema está na articulação do meio do dedo ou na ponta do polegar, porque o tendão que está aderindo não está conseguindo mover adequadamente nas articulações. O dedo acometido poderá apresentar aumento de volume (edema). O surgimento de um nódulo no sistema de polias e a progressão da doença causam o travamento dos dedos e o ressalto no movimento.

À medida que a doença progride, o travamento do dedo na posição de flexão piora, a ponto de gerar incapacidade funcional para preensão de objetos.

Os dedos mais frequentemente acometidos são os polegares, dedos médio e anular. Pode haver o comprometimento de mais de um dedo e ambas as mãos podem estar envolvidas.

Você também perceberá que os sintomas são mais pronunciados pela manhã, devido à piora do edema e inatividade manual durante a noite.

Tratamento

O objetivo do tratamento do dedo em gatilho é eliminar a trava e permitir o movimento total do dedo sem desconforto. O inchaço ao redor do tendão flexor e da bainha do tendão deve ser reduzido para permitir um deslizamento suave do tendão. O uso de uma tala ou de um medicamento anti-inflamatório oral às vezes pode ajudar. O tratamento também pode incluir atividades alteradas para reduzir o inchaço. Uma injeção de esteroide na área ao redor do tendão e da polia geralmente é eficaz no alívio do dedo ou polegar do gatilho.

Se formas de tratamento não cirúrgicas não aliviarem os sintomas, a cirurgia pode ser recomendada. Essa cirurgia é realizada em ambulatório, geralmente com anestesia local. O objetivo da cirurgia é abrir a polia na base do dedo para que o tendão possa deslizar mais livremente. O movimento ativo do dedo com frequência começa imediatamente após a cirurgia. Habitualmente, o uso normal da mão pode ser retomado quando o conforto permitir. Alguns pacientes podem sentir desconforto e inchaço na área da cirurgia por mais tempo que outros. Ocasionalmente, a fisioterapia nas mãos é necessária após a cirurgia para recuperar melhor o uso.

Como citar este material: SEVERO, Antônio. Dedo em gatilho. Passo Fundo, agosto de 2020, disponível em: www.antoniosevero.com.br, acesso em: dia, mês e ano.